Pra quem não sabe eu palestro para crianças. Já tinha em mente que se as crianças forem bem educadas termos um mundo muito melhor. Mas como a maioria das pessoas, apenas tinha esse pensamento sem ação alguma.
Então, depois de participar de um projeto pedagógico na minha IES que nos obrigada a falar de Estatuto da Criança e do Adolescente para as crianças eu me encontrei. Estou no projeto até hoje e incentivo muitas pessoas a o conhecerem.
Procuro incentivar as crianças como Anne e Malala. Que desde muito novas buscaram por mudanças no mundo.
Malala, uma ativista paquistanesa que desde criança falava de Direitos Humanos. E com resultado do seu empenho em lutar pelos jovens foi a mais nova em ganhar o premio Nobel da Paz. Ela defendia também as mulheres que queriam o acesso à educação no nordeste do Paquistão, lugar esse onde os talibãs impediam que as jovens frequentassem as escolas e tivessem uma educação digna.
Com seu ativismo tornou-se um movimento internacional, e lutando desde 11 para 12 anos foi nomeada para o prémio internacional da Criança, pelo ativista sul-africano Desmond Tutu.
Annelies Frank foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Tornou-se conhecida no século XX após a publicação do Diário de Anne Frank (1947), que relata suas experiências enquanto vivia escondida num quarto oculto, durante a Segunda Guerra Mundial. Em um trecho do seu livro percebemos que ela já sabia o seu papel na sociedade:
Em 5 de abril de 1944, em uma quarta-feira, Anne escreveu no seu diário que desejava se tornar uma jornalista:
“Eu finalmente percebi que eu devo fazer o meu trabalho escolar para deixar de ser ignorante, para conseguir uma vida, para me tornar uma jornalista, porque é isso que eu quero! Eu sei que posso escrever [...] mas tenho que continuar percebendo se realmente tenho talento.
E se eu não tenho talento para escrever livros ou artigos de jornais, eu sempre posso escrever para mim mesma. Mas eu quero alcançar mais do que isso.
Eu não posso imaginar vivendo como minha mãe ou a Sra. van Pels e todas as mulheres que fazem o seu trabalho e depois são esquecidas. Eu preciso ter algo além de um marido e filhos para me dedicar!
Eu quero ser útil ou trazer diversão para todas as pessoas, mesmo aqueles que eu nunca conheci. Eu quero continuar vivendo mesmo depois da minha morte! E é por isso que eu sou tão grata a Deus por ter me dado este presente que eu posso usar para me desenvolver e expressar tudo o que está dentro de mim.
Quando eu escrevo, eu posso me livrar de todos os meus cuidados, minha tristeza desaparece, meus espíritos são revividos! Mas, e isso é uma grande questão, eu nunca vou ser capaz de escrever algo grande, eu nunca vou me tornar uma jornalista ou escritora?”.
Sei um pouco dessas duas jovens inspiradoras, mas olhando para um lado religioso, nessa semana fiquei perplexa, pois conheci a historia de Santa Agata.
Águeda de Catânia, Águeda de Palermo ou Águeda da Sicília, também conhecida como Ágata que em italiano se chama Agata, em siciliano se chama Agata e em latim, Agatha.
Bem, essa jovem foi uma virgem e mártir das tradições cristãs do século III. Vindo de uma familia rica de Catânia ou Palermo e como de costume na época, ela foi prometida em casamento, mas se recusara. As familias ficaram enfurecidas por ela recusar (não podendo) e dizer já ser de outro homem. O pretendente era apaixonado por ela e por ser de família rica também a mandou para Afrodísia que era uma mulher que prostituia suas seis filhas, pois acreditava que lá, com meninas da sua idade ela ia saber o prazer da carne e ia gostar, mas a moça se manteve fiel a seu marido, assim como muitos relatos da época diziam que ela o chamava. E sobre a tentação da carne disse:
"Minha coragem e minha mente estão tão firmemente fundadas sob a pedra firme de Jesus Cristo, que por dor alguma podem ser mudadas; suas palavras [não] são mais que vento, suas promessas [não] são mais que chuva, e suas ameaças [não] são mais que ameaças como rios que passam, e mesmo que todas estas coisas choquem a base da minha coragem, ainda por isso ela não se move."
Ameaçada inúmeras vezes, Agata foi espancada e jogada na prisão. Continuando a rezar e a se manter virgem, o oficial ordenou que fosse esticada numa cremalheira (era um aparelho de tortura cheio de barras e ganchos de ferro nas laterais onde a vítima era queimada com tochas).
Ela sobreviveu e sobreviveu na fé.
Apos dias ele ordenou que os seios dela fossem esmagados e cortados. E relatos afirmam que ela teria dito:
"Demasiado criminoso e tirano cruel, não tens vergonha de cortar aquilo em uma mulher que tu sugou em tua mãe, e da qual tu foste alimentado? Mas eu tenho meus seios inteiros em minha alma, da qual eu nutro todos os meus juízos, [e] da qual ordenei servir nosso senhor Jesus Cristo, desde o começo de minha juventude."
Quinciano então a enviou para a prisão, onde permaneceu sem comida e auxílio médico. Na prisão recebeu uma visão de São Pedro que cuidou de seus ferimentos e com uma luz divina os curou. Dias depois, Quinciano obrigou-a a se enrolar pelada em brasas misturadas com cacos de tigelas quebradas, porém esta tortura foi interrompida em decorrência dum grande tremor que destruiu vários edifícios.
Temeroso que a população poderia voltar-se contra ele após o incidente, o oficial ordenou que Ágata fosse novamente colocada em sua cela. Ao retornar à cela, ela teria orado:
"Senhor, meu Criador, tu sempre me protegeu desde o berço; tu me tirou do amor do mundo e me deu paciência para sofrer. Receba agora minha alma."
Depois disso, teria deixado de viver.
Para a igreja, essa jovem foi desde século III exemplo de pureza e mártir. E estudos afirmam que aos 15 anos se guardou para Deus e morreu pouco depois disso.
Nunca passou em minha mente que tivesse na historia uma menina tão pura e doce assim, mas ao mesmo tempo tão cheia de fé, cheia do Espirito Santo. São inúmeros os relados de dor e sofrimento que ela viveu. Mas quando percebemos suas palavras doces lembramos da pureza de uma criança.
Eu escrevo muito sobre a infância, atitudes de crianças e como elas são vulneráveis. Mas conhecer a historia dessa pequenina eu fiquei demais apaixonada. Lembrei de que uma amiga que faz teologia me disse que quando as crianças morrem não viram anjos, como dizem. Só acenei com a cabeça para não mostrar ser chata, mas no fundo não acreditei.
Santa Agata é um anjo, para mim.
E pensando nesse anjo que hoje rezo para que ela olhe por esses meninos que morreram. Que mesmo por lei não serem mais ‘crianças’ ainda são pequenos, mas tão cheios de sonhos também. Para seus parentes e amigos são crianças que estavam buscando um sonho, vivendo esse sonho e muitas vezes se divertindo.
Posso contar com os olhos cheios de lagrimas as inúmeras tragédias do nosso mundo, mas se olhássemos para uma criança e ela sorrir, pronto, sabemos que ainda devemos ter esperanças.
O que eles estavam fazendo ali? Por que não saíram? Seria a hora deles se encontrarem com Deus?
O ser humano, por mais evoluído que é, mais racional que seja, ele nunca vai saber dos planos de Deus no momento de tristeza. Na hora da dor não queremos depois o proposito de tudo, queremos saber agora. Anne escrevia com a fé em Deus, sabendo que um dia ia se concretizar. Agata vivia seu amor em Deus e profetizava isso sabendo que Ele tem seu plano perfeito.
Mas meu coração roga por conforto dessas famílias que hoje choram querendo paz. Não posso medir o sofrimento de uma mãe e viajaria para os 15 anos de seu filho e hoje e sepulta.
Como falar para as crianças que o mundo tem essas tristezas?
Que Agata mostre o caminho até o Pai para esses pequenos jogadores e que São Pedro junto a Virgem Maria, que é nossa mãe, interceda por seus filhos que hoje sofrem.
E que o mundo não falte fé em Deus e o doce e puro sorriso de uma criança.
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Sempre carrego momentos comigo. Sempre conto muitas histórias, como dizem meus amigos. Agora, passarei a escrever mais sobre os meus dias bons e quem sabe publicar uns dias não tão legais, para que eu mesma possa ler e ver que a minha tempestade não passou de uma foto preto e branco meio borrada.
Att,
Consocia Karoline Lima.